Afastamento prolongado de tudo. Pelos meus cálculos, foram quase cento e oito horas dispondo momentos, lembranças e pensamentos de forma à transforma-los em palavras que não soem niquentas.
0°40′S . 78°26′W. Tenho predilecção por números, portanto é assim que represento o começo. Na real significação, arrepio-me toda vez que ouço-a. Poderia muito bem dizer que é inexplicável, só para tornar tudo mais ‘misterioso’ e economizar algumas palavras, mas não é – não seria justo te classificar como inexplicável (sim, você faz parte dela). Arrepio-me por lembrar de tudo o que aconteceu envolvendo isso: de premeditações à coincidências, de noites à dias quase-completos.
Tempo: série ininterrupta e eterna de instantes. Para mim é isso. Não importa se passou apenas meio mês, cinco dias ou mil quatrocentos e quarenta horas, meus sentimentos são os mais lúcidos e verdadeiros possíveis. De certa maneira, é algo novo para mim, mas que tem me feito muito bem. A intensidade com que tudo aconteceu – e está acontecendo – me deixa atónita.
Felicidade e bestinha já nem cabem aqui. É entorpecente – ao mesmo nível de sábado/domingo. Não importa que, na hora, não foi dito; agora que sei, também sinto. Tão único quanto termos um lugar só nosso e que vai além que qualquer existencialismo usual; momentos de ruptura com o que é preciso ou calculável.
Interlúdio. Somos todos à favor dele.
(…) falling again is such a welcome end. Can the end of today be more than tonight? Echoes of these far reaching sights. Give me your hands and we’ll never die. This love song, it sits wrong, it means jack. The time’s right to be wrong. All night long I feel good, I feel so far away, this is mine. It could be anyday. I saw what I saw. I call up a man. Distance is what gets me right in. I had a hand in everyone losing their place. Never must stop, it’s stealing my heart. A moment to squeeze begging on its knees. I know I’ll never be right beyond tonight. Give me your hands and we’ll never die.
Aqui ainda digo que anseio por seus nadas, sejam eles procedidos de explanações, ou não. Sei que, por mais nada que sejam, sempre tem algo de sugestivo ali. Ao seu oposto, não sei lidar tão bem com palavras propriamente ditas [a paper and a pencil are the best friends that i've got], acho que é por isso que sinto vontades incontroláveis de expressar-me das mais variadas maneiras. Também preciso dizer que seus valores são os mais encantadores – e aí inclua tudo, tudo mesmo: físico, químico, psicológico, emocional, existencial…
A vida tem sido mais do que complacente. Nada mais justo do que agradecer pelos momentos de plenitude: sejam estes entremeados de sorrisos bestinhas ou rematados por palavras mais do que sinceras, sussurradas num silêncio estranhamente confortável.
É você. Sei disso.
Posso?