Julho 6, 2009

bode

Queria ter ido dormir cedo hoje. Evitar algumas coisas que têm me atormentado e parar de escrever sobre minhas inseguranças e fragilidades. Passar a ter uma vida normal, sabe?

Acordar segunda-feira de manhã, tomar uma xícara de café, acender a ponta que estava no cinzeiro, resolver pendências da faculdade, ter momentos mulherzinha e procurar uma academia, cuidar da minha alimentação a fim de evitar que a anemia me vença, voltar a ler o mínimo de dois livros por semana, terminar meus stencils e começar novos, escrever coisas mais interessantes,  dedicar-me mais à música, absorver melhor o sentido da existência humana…

Tudo isso não tem propósito algum. O ‘verdadeiro’ está escamoteado, não era sobre isso que eu queria escrever… Foi paradoxal. Ao mesmo tempo que foi muito bom, eu percebi a diferença. Percebi que, em alguns momentos, algo mudou. E o que mais me incomoda é saber que tenho minha parcela de culpa e que não posso lutar contra isso. Aqui admito: sou incapaz.

Mas amanhã é segunda-feira e, quem sabe, não acordo com os pés numa vida normal.

Junho 29, 2009

a tal da autoflagelação

O que está acontecendo? Que sensações são essas? Angústia? Preocupação? Medo? Na melhor da hipóteses, dúvidas.

Mas não era para ser assim, era para ser feliz. Até onde vai meu auto-controle? Sinto que estou no limite da insegurança. Prova de fogo… Essa semana coloco minha valorização pessoal em prova de fogo.

Será que sou apenas uma? Tem certeza que é isso mesmo, que não é nada impressionado pelo momento? Não estou instilando dúvidas a respeito de sentimentos, mas o ‘regresso’ pode trazer lembranças e…. bem, não quero pensar nisso. 

Será que fui precipitada e rendi-me demais? Deveria ter esperado?  A vicissitude voltará a acontecer mas, desta vez, sem ser comigo?

Incúria e reincidência. Uma vez provadas, jamais precisará de outras dores.

Sou uma farsa, um erro cíclico. Não presto e não colocarei minha mão no fogo só pra dizer que queima. É óbvio que estou receosa… A questão não é que não gosto de ‘perder’, só não simpatizo com comparações somadas à recordações… Ah, as malditas recordações.

Não quero ser plangente, é a centésima vez que caio nesse logro – pelo menos nessa última semana. Minhas lembranças são como as moedas da bolsa do diabo: quando abriram só encontraram folhas secas.

Junho 26, 2009

it’s so lonely when you don’t even know yourself

Dia cinza e frio – ainda assim muito bem acompanhado [como sempre têm sido].

Aniversário póstumo de Hillel Slovak (sim, eu e meus aniversários póstumos). Uma das poucas mortes que, quando leio sobre, me faz chorar. Puro engodo, talvez. Não só pelo fato de que ele foi um puta guitarrista, mas sim porque sempre coloco-me no lugar de Kiedis, que perdeu um de seus melhores amigos. 

Lembro do infausto ano de 2003, quando perdi três grandes amigos num intervalo de, no máximo, seis meses. Tudo bem, não posso nem comparar um acidente de carro e um assassinato com uma overdose de heroína. Ainda assim, sinto uma tristeza infinda quando relembro a passagem que Kiedis conta seu desespero frente à morte de Hillel… Ele viu seu amigo morrer; a pessoa com quem conviveu desde criança/adolescente, dividiu loucuras, drogas, bandas, músicas e, no auge dos seus 26 anos, desistiria da vida [sim, Hillel sabia que não sobreviveria].

H. Slovak nasceu em Israel e mudou-se para a Califórnia aos cinco anos de idade. Aprendeu a tocar guitarra na Fairfax High School, onde conheceu Kiedis e Flea – a quem, diga-se de passagem, ensinou a tocar baixo. Montaram a Tony Flow and the Miraculously Majestic Masters of Mayhem, mudando, em 83, para Red Hot Chili Peppers.

Never too soon to be through
Being cool, too much too soon
Too much for me and too much for you
You’re gonna lose in time
Don’t be afraid to show your friends
That you hurt inside
Pain’s part of life don’t hide behind your false pride…
It’s a lie.. your lie
 
If you see me getting by,
If you see me getting high,
Knock me down.
I’m not bigger than life

hillel

 

Junho 21, 2009

505

Queria ter terminado este post antes; no momento em que tinha começado a escrevê-lo mas, sabe-se lá por quê, parei. Acho que ative-me demais à Sartre. Sobre todas as coisas que amo, sobre a sucata do canteiro de obras, sobre as tábuas apodrecidas da paliçada, cai uma luz avara e moderada, semelhante ao olhar que damos, após uma noite sem dormir, para as decisões tomadas no entusiasmo da véspera, para as páginas que escrevemos sem rasuras e de um só fôlego.

Não faz mas sentido dizer – como está no rascunho – que “cá estou eu, 05:36 a.m esperando, mais uma vez, o dia virar dia. Cá estou eu, mais uma vez, escrevendo um post e pensando em você”, até porque, no exato momento são 14:58 da tarde. Ainda assim, cá estou eu, torrando no sol e ouvindo A Manual Dexterity: Soundtrack Vol. 1. Torrando do mesmo jeito que aquele dia – e aqui não preciso nem falar que falta-me algo, você sabe. Tudo têm sido tão sincero que nem parece ser realidade. Somos um belo ímpar, vai.

A unicidade de todos os momentos [divisíveis ou não] está me trazendo um novo princípio de existência. Vou e quero e vou, mais uma vez. Tu es spécial pour moi, comme personne n’a été avant. Sei que vai dar certo -construo sonhos  através das palavras. Penso e sinto e sinto mais de uma vez. Café e sol, ambos fortes. E há outro ‘algo’ forte aqui. Vasculhando o passado eu vejo um futuro ambicioso.  A vida assim é melhor…

Junho 15, 2009

0°40′S . 78°26′W

Afastamento prolongado de tudo. Pelos meus cálculos, foram quase cento e oito horas dispondo momentos, lembranças e pensamentos de forma à transforma-los em palavras que não soem niquentas.

0°40′S . 78°26′W. Tenho predilecção por números, portanto é assim que represento o começo. Na real significação, arrepio-me toda vez que ouço-a. Poderia muito bem dizer que é inexplicável, só para tornar tudo mais ‘misterioso’ e economizar algumas palavras, mas não é – não seria justo te classificar como inexplicável (sim, você faz parte dela). Arrepio-me por lembrar de tudo o que aconteceu envolvendo isso: de premeditações à coincidências, de noites à dias quase-completos.

Tempo: série ininterrupta e eterna de instantes. Para mim é isso. Não importa se passou apenas meio mês, cinco dias ou mil quatrocentos e quarenta horas, meus sentimentos são os mais lúcidos e verdadeiros possíveis. De certa maneira, é algo novo para mim, mas que tem me feito muito bem. A intensidade com que tudo aconteceu – e está acontecendo – me deixa atónita. 

Felicidade e bestinha já nem cabem aqui. É entorpecente – ao mesmo nível de sábado/domingo.  Não importa que, na hora, não foi dito; agora que sei, também sinto. Tão único quanto termos um lugar só nosso e que vai além que qualquer existencialismo usual; momentos de ruptura com o que é preciso ou calculável.

Interlúdio. Somos todos à favor dele.
(…) falling again is such a welcome end. Can the end of today be more than tonight? Echoes of these far reaching sights. Give me your hands and we’ll never die. This love song, it sits wrong, it means jack. The time’s right to be wrong. All night long I feel good, I feel so far away, this is mine. It could be anyday. I saw what I saw. I call up a man. Distance is what gets me right in. I had a hand in everyone losing their place. Never must stop, it’s stealing my heart. A moment to squeeze begging on its knees. I know I’ll never be right beyond tonight. Give me your hands and we’ll never die.

Aqui ainda digo que anseio por seus nadas, sejam eles procedidos de explanações, ou não. Sei que, por mais nada que sejam, sempre tem algo de sugestivo ali. Ao seu oposto, não sei lidar tão bem com palavras propriamente ditas [a paper and a pencil are the best friends that i've got], acho que é por isso que sinto vontades incontroláveis de expressar-me das mais variadas maneiras. Também preciso dizer que seus valores são os mais encantadores – e aí inclua tudo, tudo mesmo: físico, químico, psicológico, emocional, existencial…

A vida tem sido mais do que complacente. Nada mais justo do que agradecer pelos momentos de plenitude: sejam estes entremeados de sorrisos bestinhas ou rematados por palavras mais do que sinceras, sussurradas num silêncio estranhamente confortável.

É você. Sei disso.
Posso?

Junho 9, 2009

.txt

Anestesia geral. Encontro-me em estado total de anestesia geral.
Não sei por onde começar. A priori, este post não seria nada específico; às vezes sou um tanto quanto irresoluta.

Não estava esperando por ‘isso’ (chega a ser um disparate tratar por ‘isso’, mas não me vem à memória algo mais correto). Não esperava por arguição minha mesmo – no que diz respeito à relações interpessoais, fizeram-me acreditar que sou incapaz de ser realmente ‘especial’ para alguma pessoa. Querendo, ou não, ‘isso’ mostrou-me que, sim, quem sabe tenho alguma capacidade de ser importante para alguém. Falar que soa pretensioso acaba soando confuso também, mas é assim mesmo.

Felicidade catatônica. Ímpetos de sentimentos. Sentimentos. “As metáforas são uma coisa perigosa, não se brinca com as metáforas (…)”. Você conhece esse trecho – talvez não reconheça assim, logo de cara, mas sei que conhece…

Poderia continuar esse texto referindo-me, mesmo que implicitamente, à diversos momentos [nossos. dos mais simples aos mais sublimes. de nós para nós mesmos.] mas nem sempre os pensamentos fluem de maneira organizada e passíveis de serem publicados. Poderia ser mais explícita, mas eloquência não vem ao caso. A intensidade dessas palavras é irredutível…

Bom mesmo é saber que todos os acidentes de percurso valem a pena quando lhe aproxima ainda mais da pessoa certa…

Junho 7, 2009

lápide 1: epitáfio para o corpo…

…aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito, são suas obras completas.

Aniversário póstumo de Paulo Leminski.
Curitibano de bigodes invejáveis à Nietzsche. Gênio concretista e haicaista. Bomba-relógio de sentimentos. Músico, tradutor e judoca nas horas vagas.

Tamanha minha gratidão por deixar “Guerra dentro da gente” revolucionar minha simplória cabecinha, aos 14 anos. Aqui deixo minha admiração por você. Simples e de poucas palavras, porém  recheada de glórias.

não fosse isso
não fosse isso
e era menos
não fosse isso
e era quase
- Paulo Leminski

Junho 2, 2009

não quero usar ‘aniversário’ no título. prefiro mesóclise.

Vinte e um: definitivo.
Em números corridos – aqui pretendo ser mais polida -, uma semana de oito dias e um dia de quarenta e oito horas.
Prá lá de trinta e quatro unidades de tempo. Em algum momento antecedente houve o tal do pedido, assim meio escamoteado, mas nada que tirasse a ventura – a situação foi mais do que digna. Doze horas de ’sono’ e uma família adquirida. Aniversários, por ora, são complexos; o meu foi o benemérito pelo novo ciclo completado. Único: sem energia elétrica, até certo ponto. Meia noite com take only what you need from it e alguém ao meu lado. Outras doze horas. Faith no More e Frusciante, não necessariamente nessa ordem.
Acentuo: 192 horas. Das quais as últimas 96 foram, merecidamente, inexplicáveis.

Segunda-feira gelada de vinte e um anos e café com canela. Almoçando Stella Artois, Doritos e Blind Melon. Vinte e um anos pedindo os parabéns para qualquer pessoa que passasse por mim. Vinte e um anos justificando faltas alheias para professores e comunicando a evolução de um relacionamento. Vinte e um anos em que estive fora do mapa…

Vinte e um, número bonito e significativo. Também tenho apreço pelo dezenove. Não é mero acaso: ímpar e sincrónico. 19 e 21. Tem seu charme, vai. No fim das contas, temos um quarenta. Piegas, mas dois ímpares resultou num par.

Maio 31, 2009

merriweather post pavillion é mais do que sugestivo, mas hoje foi inspirado por lover, the lord has left us…

Fato: falar de alguém que a gente conhece há pouco tempo acaba, sempre, sendo receoso. Aqui encontro-me numa situação totalmente suscetível à erros, mas o que vale é a intenção de transparecer meus próprios pensamentos e formulações. 

Falo de 19 anos. Hoje. 19 anos de acertos e desacertos; 19 anos de  desejos e arbítrios; 19 anos de opções e escolhas; 19 anos de diferenças assumidas; 19 anos de adjetivos e qualidades insuperáveis; 19 anos entregue ao que lhe faz feliz; 19 anos vividos à sua maneira, sem importar-se com julgamentos, conceitos ou qualquer forma de controle. 

Ímpar em todo e qualquer sentido possível. Votos de felicidade (para mim) são contestáveis; felicidade independe de tempo, lugar ou data comemorativa. É o anseio de nossas loucuras e de nossas escolhas que a define, portanto, o que desejo primeiramente é intensidade. E, limitando-me à presente e futuro, desejo momentos marcantes e impulsividade, afinal, a vida surpreende sempre. 

Por isso, petit ami, continue sendo único. Com todas as ênfases existentes e necessárias! Você sabe…

Joyeux anniversaire pour nous.

Maio 29, 2009

quatro semanas que não é um mês

O atraso causado pelo ócio improdutivo implicou na descontextualização do título, ainda assim, nada que mude o verdadeiro significado disso tudo. Para uns, ilógico como sempre, para outros nem tanto. Nada conclusivo e sem interlúdios. O que importa mesmo não é como aconteceu, e sim o quê aconteceu.

Hoje foi um daqueles dias propícios ao enlouquecimento. Começo perdendo a hora da aula e, bem, se não fosse a chuva, teria perdido o café da manhã – algo imperdoável, mas a sorte me foi generosa. Quinta-feira de vagabundagem agendada pelo Intercom é prelúdio para mandriices. Bem, e o que aconteceu?

Tive um excesso. Passei o dia vagando entre as mais diversas sensações e desejos – de felicidades à angústias, de raivas à saudades. Uma espécie de elástico onde, de um lado, puxam minhas vontades, de um outro minhas responsabilidades, do outro meus descontroles e de um outro, ainda, as pessoas. Só que eu sou alguém normal, sabe?! 

Há um considerável tempo acordei e dei de cara com uma vida bagunçada por idas sem voltas e  todas suas consequências. Não fiz exigências, nem à mim mesma. Se há coisas que te puxam o tapete de um lado há, também, outras que seguram suas mãos do outro (lado). Evidente, esquerda depois direita.

E chego até aqui. Hoje.

Poderia dizer que foi mero acaso, mas não foi. É por isso que não importa como, mas sim o quê. Receio já ter escrito isso em algum lugar, mas nada mais sincero do que poucas palavras e de felicidade extrema.  Poderia ocupar esse parágrafo com Animal Collective, caminhão de lixo, iPod sem bateria ou qualquer outra coisa que deixasse implícito meu idealismo ingênuo de abolir o tempo. Opto por dizer que existe uma força maior que  ultrapassa os limites da razão…