Outubro 24, 2009

Títulos limitam. E não é essa a intenção…

Nem sempre é fácil achar respostas para quando, ao certo, não temos perguntas fundamentadas. Tenho feito de meus dias uma expressão matemática, daquelas bem absurdas e complicadas, e não sei por quê raios permaneço recalculado-a centenas de vezes. Não há fórmula de Bhaskara que resolva o impasse no qual encontro-me.

Minha existência virou de pernas para o ar em questão de semanas. É claro que muitas coisas boas aconteceram – coisas boas mesmo que, inclusive, desejei para acontecerem e que  arrancaram-me da vidinha medíocre que eu estava vivendo. Porém, o preceito básico de ação-reação está sempre pronto para te acertar em cheio, com um belo chute no meio do estômago. Uma constelação de dúvidas rodeia minha cabeça e me faz atingir níveis absurdos de inseguranças e sensações tresvariadas. Castigo infinito por pensar que sei lidar com esse escárnio que chamamos de “vida”.

É com o coração recheado de arame farpado que limito-me ao saudosismo. Chega de criar esperanças tolas, de esperar as coisas acontecerem, de  iludir-me que existe reversão e, principalmente, chega de permitir que o tempo me espanque. Assim como o despadronizado Antoine Roquentin, não distingo o presente do futuro e, no entanto, isso tem uma duração; nos faz esperar e, quando chega, sentimo-nos enfastiados porque percebemos que já estava ali há muito tempo.

E se o agora já tem uma trajetória dantesca, eu quero aproveita-lo por inteiro. Claro, alguns tipos de felicidade são puro engodo, mas se deixarmos de viver, não teremos tempo para sorrir. Fazer e não apenas planejar. Deixar as chances morrerem é covardia – e covardia é algo que abomino. O medo de não suportar a carga e as mentiras que fingimos acreditar nos fazem cometer autos que, de uma maneira ou de outra, são convenientes – porém não são válidos. Seja por falta de verdade, seja por falta de intensidade. 

Tenho plena consciência de que minhas perguntas não serão respondidas de imediato, mas também não vou optar pela cadeira do mundo das idéias só para poder sentar-me em algo que minha bunda diz que realmente existe. O discurso já está sendo outro; parei de distribuir tapas na minha própria cara. E, saiba disso, farei o máximo possível para esquecer. Quero mais é enterrar tudo e traçar uma linha divisória de pré e pós; não nasci para ser uma imbecil recalcada que lamenta-se pela vida e tempo perdidos. Ainda tenho uma centelha de valor pessoal palpitando neste corpo, portanto, só quero a música que me alimenta.

Outubro 15, 2009

[outromesmo]

Músicas têm sido uma considerável forma de expressão ultimamente. Como a fadiga domina o corpo desta que vos escreve, aciono um repeat neste post.
Sim, é direcionado.

I’ve become impossible 
holding on to when 
when everything seemed to matter more 
the two of us 
all used and beaten up 
watching fate as it flows down the path we 
have chose 

You and me 
we’re in this together now 
none of them can stop us now 
we will make it through somehow 

You and me 
if the world should break in two 
until the very end of me 
until the very end of you 

Awake to the sound as they peel apart the skin 
they pick and they pull 
trying to get their fingers in 
well they’ve got to kill what we’ve found 
well they’ve got to hate what we fear 
well they’ve got to make it go away 
well they’ve got to make it disappear 

The farther I fall I’m beside you 
as lost as I get I will find you 
the deeper the wound I’m inside you 
for ever and ever I’m a part of 

You and me 
we’re in this together now 
none of them can stop us now 
we will make it through somehow

You and me 
if the world should break in two 
until the very end of me 
until the very end of you 

All that we were is gone we have to hold on 
All that we were is gone we have to hold on 
When all our hope is gone we have to hold on 
All that we were is gone but we can hold on 

You and me 
we’re in this together now 
none of them can stop us now 
we will make it through somehow 

You and me 
even after everything 
you’re the queen and i’m the king 
nothing else means anything 


Outubro 5, 2009

I’m looking at you through the glass
Don’t know how much time has passed
Oh God it feels like forever
But no one ever tells you that forever feels like home
Sitting all alone inside your head

How do you feel? That is the question
But I forget you don’t expect an easy answer
When something like a soul becomes initialized
And folded up like paper dolls and little notes
You can’t expect a bit of folks 

 

So while you’re outside looking in
Describing what you see
Remember what you’re staring at is me

How much is real? So much to question
An epidemic of the mannequins, contaminating everything
We thought came from the heart
But never did right from the start
Just listen to the noises
(Null and void instead of voices)

Before you tell yourself
It’s just a different scene
Remember it’s just different from what you’ve seen

‘Cause I’m looking at you through the glass
Don’t know how much time has passed
And all I know is that it feels like forever
But no one ever tells you that forever feels like home
Sitting all alone inside your head

 

Outubro 3, 2009

It’s so lonely when you don’t even know yourself..

É difícl começar quando não sei, ao certo, o que quero falar.

Não sei por quê, mas sempre recorro ao blog quando meu estado de espírito encontra-se fora do normal. Revirei-me algumas vezes na cama, numa tentativa de dormir e acordar na utopia de “um novo dia, um dia melhor”,  mas e quem disse que consigo descansar enquanto minha cabeça fervilha num relicário de palavras, cenas e situações?

Sei que devo, na mais humilde forma, “tocar minha insignificante vidinha adiante”  e esperar que o tempo resolva as coisas por ele próprio. Só que, enquanto isso não acontece, arrasto-me dia após dia. Numa significação simples, posso dizer que estou deixando de viver.

Essa questão de tempo versus decisões é bastante confusa: um depende do outro – isso para que, nessa roleta em que dispomos nossa vida, não machuquemos ninguém.  Agir por agir, em muitos casos, não é saudável; o certo mesmo é colocar os pés no chão, organizar os pensamentos e avaliar o que desejamos de verdade – o que requer, justamente, “tempo”.  Digo, por experiência própria, que isso faz bem: ao passo que você segura (um pouco) o ritmo do seu cotidiano para reavaliar o sentido de qualquer coisa que seja,  acaba evoluindo e reencontrando certezas que, por ora, estavam camufladas em algum canto. E aquele papo de viver cada dia como se fosse o último? É brega e last week, mas é uma verdade… O “hoje” tem uma amplitude gigantesca e, mesmo realizando várias coisas “agora”, ficamos em débito frente à diversas outras que queremos realizar. Então, como é possível reorganizar uma vida bagunçada sem deixar de vivê-la intensamente?

Não faço ideia. É uma incógnita dessa eterna ampulheta em que nos encontramos; enquanto um lado esgota-se, o outro locupleta-se. Enquanto isso, um imenso ponto de interrogação surge no caminho: o que é melhor, o coração ou a razão? Guardar ou libertar? Viver ou analisar? Intensidade ou apenas “fazer bem”?

Eu poderia muito bem aproveitar essa sexta-feira para “viver”, numa tentativa de auto-afirmação perante às pessoas que falam que eu deveria “curtir a vida” e que “tem tanta gente por aí”. Sei que tem.. Tem o tal do Diogo Rosa – aparentemente um filhinho-da-mamãe que assassinou a pronúncia de  Shadow Collide With People – e toca com sua bandinha egocêntrica em uma balada entupida de Nike Shox [para eles] e botas estilo cowgirl [para elas, óbvio]… O cara esquisito que ficou fotografando enquanto eu tatuava… Ou poderia ficar me iludindo, esperando 7 de novembro, com a cantada que o Dave Navarro largou em mim. Mas não quero nada disso… Quero a certeza que sempre tive; quero as risadas, o companheirismo, a reciprocidade, as loucuras . Quero aquele abraço que me confortou tanto – e que continuo sentindo até agora… Foi muito bom, isso sim -)

Talvez nem adianta falar que “quero… quero…” porque a situação é muito mais complexa e vai além de somente “querer”. O que acontece, aqui, é uma instabilidade por não saber o que fazer.  A única certeza que tenho, é que o coração tem falado tão mais alto…

Setembro 30, 2009

bloco de notas

Você parece com chuva…
E é claro que ainda quero. Esperei por isso duas vezes, só nesta semana (engasgo-me assumindo que, na verdade, foram três).
Fiquei nervosa quando dirigia.
Deep Red by Hugo” me lembra o Natal. “Magnetism” também.
Mudei a faixa musical, no sentido de parafrasea-la, mas canto-a quase todos os dias. E lembro-me detalhadamente do dia (da noite, no caso), da situação…“Tonight…”
Estou com medo, sim. Acho que é porque quero muito e não sei se conseguirei. Como já disse, tem alguém que parece feliz ao torna-se distante de mim e perto de outra. Mas, caso não aconteça, bem, aí não posso fazer nada. Sou paciente e aqui resta-me a ansiedade.
Ah! Como quero! 

Setembro 19, 2009

long road to ruin

E lá fui eu, enganar-me mais um pouco.

Risoflora disse que não era para fazer isso, que não me faria bem. É claro que não escutei, sempre pensamos ser fortes o suficiente para aguentar qualquer tipo de sentimento. Em certo ponto, fui uma muralha e não desabei por momento algum. O problema é quando ficamos sozinhos – aí é claro que não suportei. Sou patética. Sou uma imbecil e tenho esperanças quando nem deveria cogitá-las. Não sobrou pedra alguma e o resto da noite foi longa.

Longa porque percebi que nem sempre  vale a pena demonstrarmos a felicidade por algum futuro, quando o mesmo é incerto. Tomei uma paulada, isso sim.

Por outro lado, caí na real de que não devo assumir a totalidade da culpa por alguns erros acumulados – não sou uma pessoa tão ruim a ponto de ser a única acusada por tudo. Não posso ficar me desgastando com isso, tomando por certo “Mayella”como sinônimo para “equívoco”.  Também não sou tola para acreditar que existe sofrimento eterno e todas as consequências disso. Mas e quem disse que é fácil?

Tenho certeza, cada dia mais, que as relações melhorariam quase 100% se as pessoas deixassem de ser tão comodistas e orgulhosas de si mesmas e percebessem que, porra, somos humanos, erramos e ninguém está imune à essa praga. Óbvio que é sempre mais fácil apontar e julgar os outros do que bater no próprio peito e falar “eu também errei”. Isso tem uma explicação bem simples: a partir do momento que assumimos um desacerto, temos que tomar providências ou para desfazê-lo ou para, no mínimo, curvar-nos diante de nossa própria estupidez e pedirmos desculpas à quem magoamos – e a raça humana tem uma dificuldade imensa de assumir este tipo de coisa quando o orgulho é o que está em um dos lados da balança.

Assim, fui desacreditando nas coisas que estavam me fortalecendo. Depois de dar com a cara no muro, ainda procurei um pouco mais de mágoa. Li todas as partes do [meu] chamado “Dossiê Pelicano” – desde o “Hipocrisia é pouco” até “Coisas que nunca disse para mim” e “Perdeu a graça”. Por quê? Ao certo, nem eu sei a resposta. Quem sabe o fiz para provar que não fui a única filha da puta. Talvez precisava mostrar para mim mesma algo que me fizesse questionar sobre a validade das coisas. Bem no fundo, estou voltando para tomar os tiros.

Amanhã é domingo e eu não deveria criar expectativas;  a noite de ontem me mostrou essa realidade. Mas, novamente, pergunto-me: e quem disse que é tudo tão fácil?

Setembro 12, 2009

autopilot, no control

Aqui encerro um ciclo. Aqui declaro um recomeço.
Não foi uma crise, um surto, muito menos um colapso. Foi a necessidade… Necessidade de consertar alguns desacertos; necessidade de me reencontrar. Mudei em muitos aspectos e considero-me num estado de reciclagem. Acordei para o fato de que estava me agredindo sem motivos aparentes, simplesmente porque criei – em algum ponto deste ano – uma concepção ridícula e nada condizente com uma situação já bastante fragilizada. E fugi. Fui covarde o suficiente para dar as costas e assumir isso somente agora.

Só que jogar tudo pela privada e dar a descarga nunca foi a solução. Por isso, decidi colocar os pés no chão e, quando isso acontece, muita coisa muda; muitas verdades ressurgem de algum cantinho da memória – e a verdade pode ser uma coisa poderosa, não é algo que se espera.

Estou fazendo o que deve ser feito.
Pensei em apagar todos os sei-lá-quantos posts que já publiquei aqui – algo meio autocrítico e megalomaníaco por parte do “recomeço” – mas desisti. Não posso simplesmente fugir de tudo e fingir que, pronto, agora sou uma pessoa mais evoluída.

Algumas pessoas têm lido este blog e não tem entendido nada. Para outras, tudo está muito claro. E é para você, que sabe do que estou falando, que escrevo hoje.

Aquele clichêzinho básico sobre a mudança ser a única constante.
Aprendi bastante e… já comentei que, dessa vez, quero fazer tudo certo?!

…estou aqui, esperando.

Setembro 2, 2009

uade

Começo com um pedido de desculpas. O gosto da derrota, a amarga verdade de não saber quem sou, o que sou, o que quero… Não sou capaz de me reconhecer. Mayella não está mais aqui. Risoflora também não. Don’Aranha morreu… Morreu aos poucos. Morreu a cada dia que passou depois do fim.

Perdi muito de mim quando perdi alguém – e só me dei conta disso tempos depois que o erro foi consumado. E cá estou, devassa, arruinada, esquecida… Estou no meio de um maldito furacão que, constantemente, me arrasta e bagunça toda minha vida.

Há algo recluso aqui dentro; algo que me afoga todos os dias, que tira-me o foco e traz vontades nada lúcidas. Não era para ter sido assim, era para ser feliz.

Lembra?

Revi. Revivi. Esgarrei sem consciência do que estava fazendo. Como fui párvoa! Agora resta-me esse ensaio numa espécie de redenção. Na mais sincera tentativa, antecipei minhas desculpas ali na primeira linha. 

Ando à mil e a zero ao mesmo tempo. Bem na verdade, estou na corda bamba. Do lado da vida mas desejando uma boa morte – não para ser mórbida, apenas para aliviar a culpa que carrego por ter sido incapaz. Agosto foi péssimo para viver – vide a quantidade ínfima de posts que apareceram por aqui. Sequer esforcei-me para respirar.

Por quê?

Hoje chego à conclusão de que fui o maior erro… e aprendi comigo mesma. Ao som de Everlong e Gong Li, nada têm  sido fácil para mim. Everlong. Lembra?

Eu preciso…

Desculpe-me.

Agosto 3, 2009

be here now

Parece rotina você ir embora e eu correr para o computador, abrir o BlogSpot ou o WordPress e rascunhar sobre as tantas coisas que vivemos em nossos intervalos incalculáveis de tempo. Talvez até seja, se levarmos para o lado de “rotina” como “caminho já sabido” – isso porque sei que qualquer coisa que façamos, juntos ou não, vai ensejar uma imensa vontade de exteriorizar, ao máximo possível, tudo o que sinto por ti.

E não preciso ensaiar nada. Escrevo tudo de um só fôlego – aquele mesmo que você me tira sempre, várias vezes por dias, e que consigo recuperar somente depois de uns bons vinte minutos ao teu lado, ouvindo a tua respiração e tentando mergulhar nos teus pensamentos… Eu daria o mundo para saber o que você pensa quando as respostas são nadas recheados de sinceridade. Analítica e sistemática (e isso não é dupla sertaneja!), minha mania de singularizar palavras fez com que encontrasse “nada” como significado de “5. Ter abundantemente o prazer de”. Sem querer – ou até mesmo sem saber – acertamos em cheio a maneira de expressar os sentimentos dessas situações – algumas, eu diria, com ênfase no abundantemente

Um dia você adormeceu um tanto quanto esquivo. Não no sentido negativo – num momento Being John Malkovich, sei que era mais preocupação pela maneira de como seria minha reação, do que insegurança ou dúvida. Doze horas depois, descubro que uma simples mensagem sobre  o “nosso ninho” incitou mudanças em nossas vidas, as quais espero ansiosamente. 

Chego num ponto onde esbarro na continuidade: engasgo com as palavras e ajoelho-me diante de meus pensamentos. Deve ser a maldição do quarto parágrafo. Na maioria das vezes acaba assim: os assuntos mais relevantes e significativos com o menor espaço ocupado. Presumo que não seja falta de capacidade de tornar a decisão – de ficarmos juntos não só em ‘teoria’ – em palavras; o problema é saber escolher tais palavras e dosar a intensidade de cada uma delas. Sem exageros e sem faltas – nessas horas, ser comedida é tarefa complicada. 

Poderia arrastar este léxico por mais outras 406 palavras, falando de risadas no cinema e durante boa parte das últimas quase 70 horas; joelhos roxos e braços marcados por ataques de um possível esquilo, ou texugo, ou qualquer outro animal dentuço que o valha; replicar algo sobre conversas com níveis extremados de verdade e franqueza; poderia até engabelar um prefácio sobre “this is our home, really ‘our’. and since saturday, there’s no place that we haven’t been, you know, doing one kind of our own particulary and out of breath ‘nothing’…“. Mas prefiro encerrar nesse vácuo de mistério e malícia.

Pensei em Lanegan e em Gutter Twins. Pensei em As Tall as Lions. Pensei em Tom Waits e vários math rock. Embora não tenhamos ‘presenciado’ muito Mars Volta – neste fim de semana – acho mais do que justo utilizar “and i hear him every night, in every pore and every time he just makes me warmcomo ponto final.

from here to eternity.

Julho 28, 2009

we come and go (prometo parar de titular em inglês)

Não  está sendo fácil, não posso negar. 

Cento e vinte horas de intensidade, boa parte delas com neblina e frio moderado. Sei que, talvez, as expectativas não foram superadas – sabe como é, às vezes superestimamos alguns acontecimentos que, não por culpa nossa, acabam sendo apenas marcantes. Ainda assim, dormir contigo à 2 graus; fazer do meu quarto uma filial do Servi Comunic para amanhecer – às sete e meia – na pedreira; finalizar o que restou no posto de gasolina e  sair de carro de um lado para outro, ao som de Queens of the Stone Age; rir da tua ressaca causada por Ypióca Gold; passear pelos mercados; procurar nossos bichinhos na BR, na chuva; e todo o restante do ‘nada’ envolvido – incluindo a volta de ônibus – me fazem ter a certeza de que tudo isso não pode (e nem vai) acabar tão cedo.

Mas toda essa solidez estremeceu assim que cliquei “Entrar” no Hotmail. A página carregou e ali estava a confirmação que, até quatro meses atrás, eu tanto queria receber. Permaneço com a sensação de estar andando em um pântano onde, a cada passo, afundo mais um pouco na sensação de sufocamento.

Não está sendo fácil – e não é só por isso.

Pensei muito – e pensar é causar. Arrisco dizer que posso lidar com a situação de maneira mais branda por já ter vivido isso uma vez. Foi diferente, claro, mas sei como é.  Vou, mas vou focada em meus interesses pessoais e financeiros. Já encontrei quem eu queria e não estou mais afim de ‘brincar’ de namorar. Pareço precipitada, mas é a verdade, minhas vontades são tão claras quanto meus prospectos.

Mas e quanto ao que não está ao meu alcance?

Sei que aqui ninguém tem culpa, mas sinto-me uma filha da puta fazendo isso contigo. Acho que só escrevo aqui por dois motivos: seu cansaço de ontem e possível falta de atenção ao que eu estava falando; e minha constante mania de auto-flagelação, quando vejo coisas que não deveria ver.

Tenho medo, claro que tenho. Seria a maior hipocrisia dizer que sou comedida o suficiente para saber dosar minha preocupação. Toda vez que penso nisso, lembro de algumas coisas que você falou e que ficaram comportadas em um cantinho escuro na minha gaveta de memórias destrutivas. Um ciuminho besta, pode até ser, mas não consigo evitar as tais comparações. É como se cada vez que abro meu armário, um monstro diferente saltasse de dentro dele, ora trazendo insegurança, ora angústias, ora – por quê não – incertezas. 

Estou certa do quê e de quem quero para mim. Ao tempo que nos resta, desejo que não mude em nada (só se for para melhor). Receio já ter escrito isso aqui, mas cabe perfeitamente à situação: olhando o passado, vejo um futuro ambicioso.