É difícl começar quando não sei, ao certo, o que quero falar.
Não sei por quê, mas sempre recorro ao blog quando meu estado de espírito encontra-se fora do normal. Revirei-me algumas vezes na cama, numa tentativa de dormir e acordar na utopia de “um novo dia, um dia melhor”, mas e quem disse que consigo descansar enquanto minha cabeça fervilha num relicário de palavras, cenas e situações?
Sei que devo, na mais humilde forma, “tocar minha insignificante vidinha adiante” e esperar que o tempo resolva as coisas por ele próprio. Só que, enquanto isso não acontece, arrasto-me dia após dia. Numa significação simples, posso dizer que estou deixando de viver.
Essa questão de tempo versus decisões é bastante confusa: um depende do outro – isso para que, nessa roleta em que dispomos nossa vida, não machuquemos ninguém. Agir por agir, em muitos casos, não é saudável; o certo mesmo é colocar os pés no chão, organizar os pensamentos e avaliar o que desejamos de verdade – o que requer, justamente, “tempo”. Digo, por experiência própria, que isso faz bem: ao passo que você segura (um pouco) o ritmo do seu cotidiano para reavaliar o sentido de qualquer coisa que seja, acaba evoluindo e reencontrando certezas que, por ora, estavam camufladas em algum canto. E aquele papo de viver cada dia como se fosse o último? É brega e last week, mas é uma verdade… O “hoje” tem uma amplitude gigantesca e, mesmo realizando várias coisas “agora”, ficamos em débito frente à diversas outras que queremos realizar. Então, como é possível reorganizar uma vida bagunçada sem deixar de vivê-la intensamente?
Não faço ideia. É uma incógnita dessa eterna ampulheta em que nos encontramos; enquanto um lado esgota-se, o outro locupleta-se. Enquanto isso, um imenso ponto de interrogação surge no caminho: o que é melhor, o coração ou a razão? Guardar ou libertar? Viver ou analisar? Intensidade ou apenas “fazer bem”?
Eu poderia muito bem aproveitar essa sexta-feira para “viver”, numa tentativa de auto-afirmação perante às pessoas que falam que eu deveria “curtir a vida” e que “tem tanta gente por aí”. Sei que tem.. Tem o tal do Diogo Rosa – aparentemente um filhinho-da-mamãe que assassinou a pronúncia de Shadow Collide With People – e toca com sua bandinha egocêntrica em uma balada entupida de Nike Shox [para eles] e botas estilo cowgirl [para elas, óbvio]… O cara esquisito que ficou fotografando enquanto eu tatuava… Ou poderia ficar me iludindo, esperando 7 de novembro, com a cantada que o Dave Navarro largou em mim. Mas não quero nada disso… Quero a certeza que sempre tive; quero as risadas, o companheirismo, a reciprocidade, as loucuras . Quero aquele abraço que me confortou tanto – e que continuo sentindo até agora… Foi muito bom, isso sim -)
Talvez nem adianta falar que “quero… quero…” porque a situação é muito mais complexa e vai além de somente “querer”. O que acontece, aqui, é uma instabilidade por não saber o que fazer. A única certeza que tenho, é que o coração tem falado tão mais alto…