Foi quando coloquei o cigarro na boca, para disfarçar todo aquele cheiro, que o guarda chegou. E eu estremeci.
- Filho da puta… agora botei tudo a perder!
Enquanto isso, do outro lado da garagem, o resto da catrefa se divertia com duas BMX, rampas improvisadas e correntes. O que não dá na neve, dá no subsolo.
O som estava alto, pelo menos pra mim, que mal conseguia escutar meus próprios pensamentos. E eles só queriam me dizer para fingir estar normal.
- O que tem demais?
- Como assim, o que tem demais? Olha pra minha cara! Eu nem sei mais onde estou!
E por um momento me dei conta de que era a única mulher no meio de seis guris que não paravam de rir. Eu estava jogando dados com minha consciência enquanto um guarda estava prestes a pedir explicações.
- Relaxa. Se as paredes não derreterem você vai ter como se explicar!
- Desgraça… Fodeu……… Ih, será que eu falei alto? Alguém me escutou? VOCE ME OUVIU?!
Com uma cara de preocupação fingida de normalidade, conversava comigo mesma… eu não queria ser deportada!
Na verdade eu não deveria estar naquela garagem e, definitivamente, aquela não era uma boa hora para estar ali. Uma coisa não combinava com a outra. Estava na cara o que a gente estava fazendo, mas e quem iria reclamar? Alá? O tiozinho ditador? Era só uma garagem… de um hotel, mas era uma garagem.
O Travis estava quase entrando num espaço cósmico, mal conseguia equilibrar-se em suas pernas… bloody hell, o que está acontecendo?!!
- Pior que isso não dá pra ficar…
Dei uma tragada forte, ergui a cabeça e comecei a rir também. De quê? E eu vou lá saber! Naquelas alturas eu mal sabia chegar em casa.
Tudo isso acontecendo e aquele rap cretino derretia meus miolos. Mas em situações assim, até Rock of Love pareceria bom para mim.
Desanuviei por alguns segundos e resolvi encarar o guarda, aquele maldito guarda.
- Cadê ele? Mas que inferno, onde esse diabo se meteu?
Travis continuava no seu transe mental e Ronnie quase se quebrou saltando correntes.
- Mas e o guarda?
- Sei lá, acho que ele nem existia… Taí, era coisa da tua cabeça…
- Ou seja, era coisa sua!
- Pode até ser. Agora manda mais porque em tudo dá-se um jeito!!
Dei mais uma tragada e só aí percebi que estava fumando um maldito cigarro apagado.
(…)
1 Comentário
Agosto 27, 2008 às 11:26 pm
Há, apesar de o México ser uma espécie de terra sem lei, quase botei tudo a perder numa blitz policial.
As melhores histórias sempre.