Outubro 24, 2009...2:37 am

Títulos limitam. E não é essa a intenção…

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Nem sempre é fácil achar respostas para quando, ao certo, não temos perguntas fundamentadas. Tenho feito de meus dias uma expressão matemática, daquelas bem absurdas e complicadas, e não sei por quê raios permaneço recalculado-a centenas de vezes. Não há fórmula de Bhaskara que resolva o impasse no qual encontro-me.

Minha existência virou de pernas para o ar em questão de semanas. É claro que muitas coisas boas aconteceram – coisas boas mesmo que, inclusive, desejei para acontecerem e que  arrancaram-me da vidinha medíocre que eu estava vivendo. Porém, o preceito básico de ação-reação está sempre pronto para te acertar em cheio, com um belo chute no meio do estômago. Uma constelação de dúvidas rodeia minha cabeça e me faz atingir níveis absurdos de inseguranças e sensações tresvariadas. Castigo infinito por pensar que sei lidar com esse escárnio que chamamos de “vida”.

É com o coração recheado de arame farpado que limito-me ao saudosismo. Chega de criar esperanças tolas, de esperar as coisas acontecerem, de  iludir-me que existe reversão e, principalmente, chega de permitir que o tempo me espanque. Assim como o despadronizado Antoine Roquentin, não distingo o presente do futuro e, no entanto, isso tem uma duração; nos faz esperar e, quando chega, sentimo-nos enfastiados porque percebemos que já estava ali há muito tempo.

E se o agora já tem uma trajetória dantesca, eu quero aproveita-lo por inteiro. Claro, alguns tipos de felicidade são puro engodo, mas se deixarmos de viver, não teremos tempo para sorrir. Fazer e não apenas planejar. Deixar as chances morrerem é covardia – e covardia é algo que abomino. O medo de não suportar a carga e as mentiras que fingimos acreditar nos fazem cometer autos que, de uma maneira ou de outra, são convenientes – porém não são válidos. Seja por falta de verdade, seja por falta de intensidade. 

Tenho plena consciência de que minhas perguntas não serão respondidas de imediato, mas também não vou optar pela cadeira do mundo das idéias só para poder sentar-me em algo que minha bunda diz que realmente existe. O discurso já está sendo outro; parei de distribuir tapas na minha própria cara. E, saiba disso, farei o máximo possível para esquecer. Quero mais é enterrar tudo e traçar uma linha divisória de pré e pós; não nasci para ser uma imbecil recalcada que lamenta-se pela vida e tempo perdidos. Ainda tenho uma centelha de valor pessoal palpitando neste corpo, portanto, só quero a música que me alimenta.

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