Estava tudo pronto, exceto pelo crédulo fato de que os principais estupefacientes ainda estavam fora de alcance. Diziam que tudo daria certo e “não se preocupe, a gente resolve”. A gente resolve, claro, desde que nesse a gente esteja contido, pelo menos, uns três planos Bs. Não que o motivo da viagem fosse apenas deteriorar-me com tais em um lugar frio, longe do mundo real e do chamado dia-a-dia, com a desculpa de cobrir um Festival de Cinema, mas tudo começa mais ou menos com corres feitos em cima da hora. Digo, em cima da última meia hora.
E assim como fui, volteis: sem muita noção entre realidade e ficção – e não, não queria rimar. A prova disso é que, após uma semana defenestrando lugares e situações, a quarta foi proto-finalizada ali mesmo, nas poltronas 41 e 42, bem ao lado da tia velha e cenhosa. Um belo opóbrio, eu diria. A vergonha na cara ficou trancada no banheiro do ônibus, na ida, junto com o restou da primeira. Aprendi com Kate Moss.
Risoflora e Pinky. Medo e Delírio em Gramado, em Canela, na igreja, no pedalinho, na Câmara de Vereadores, no Vale das Lagartas, no circular… A gente riu na cara do tal Ângelo Antônio e vários balõezinhos de pensamentos borbotavam das cabeças alheias, “olha lá, tudo doidão de doce“.
A pretensão aqui é maior que o mundo, mas tenho quase certeza de que Dr. Journalism orgulharia-se. Foxey Lady estava equipada de maneira à invejar qualquer Carlos Careqa.
Cheguei na chuva. Prelúdio no melhor estilo Taxi Driver: lavar a sujeira da cidade limpa; predispor o clima para uma semana off mind. Andei de ônibus pra caralho. A pé também. E ninguém acreditou na capacidade de conseguir um press pass. A pelintra da assessora de imprensa – e toda sua breguice nefasta refletida em estampas de oncinha – prometeu meus convites (ao menos se fossem do Paulo…) e voltou atrás. Oh! Que finória! “Ela não conseguiu“, disse a mocinha sevandija com cara de comprimido. Explodia-se em risadas internas, a desgraçada. Reles parasita, não foi nem capaz de explicar pessoalmente, mandou sua fiel sabuja inventar uma desculpa qualquer. Ana Mota é uma vadia e vai queimar no inferno. Seu vodu está aqui do lado e espetarei sua bunda agora mesmo. Tenha cãibras horríveis. Saiba que tomei seu café com Monin e enfarte agora: fiquei no coquetel do Troféu da Assembléia Gaúcha. Suas champanhes repousaram em meu estômago e dignificaram o pó.
“O coelho agradece” e Sissi não entendeu nada – embora tenho sido a melhor atriz. Bruno Barreto parece o Jack Black e o final de Groelândia foi merecedor pela redenção.
Segunda-feira e o primeiro dia me fez sentir vontade de cuspir no tal do Kikito de Ouro – que nem de ouro é. Mirisola tinha razão “Isso quer dizer que além de atores e atrizes geniais comendo queijinho derretido, ainda temos equipes técnicas comendo queijinho derretido, produtores e diretores inconformados com a situação do país (comendo queijinho derretido…), e cachecóis de todos os feitios e arrebites, bichinhas saltitantes nas praças e tapete vermelho para essa gente desfilar, e tem mais, a mostra paralela de cinema gaúcho, o prefeito e as autoridades locais, os Kikitos da alegria, bonecos de neve, turistas (ah, meu Deus… uma avalanche de turistas), chocolate quente e rodízio de sopas, e frio faz muito frio nesse lugar“.