Não está sendo fácil, não posso negar.
Cento e vinte horas de intensidade, boa parte delas com neblina e frio moderado. Sei que, talvez, as expectativas não foram superadas – sabe como é, às vezes superestimamos alguns acontecimentos que, não por culpa nossa, acabam sendo apenas marcantes. Ainda assim, dormir contigo à 2 graus; fazer do meu quarto uma filial do Servi Comunic para amanhecer – às sete e meia – na pedreira; finalizar o que restou no posto de gasolina e sair de carro de um lado para outro, ao som de Queens of the Stone Age; rir da tua ressaca causada por Ypióca Gold; passear pelos mercados; procurar nossos bichinhos na BR, na chuva; e todo o restante do ‘nada’ envolvido – incluindo a volta de ônibus – me fazem ter a certeza de que tudo isso não pode (e nem vai) acabar tão cedo.
Mas toda essa solidez estremeceu assim que cliquei “Entrar” no Hotmail. A página carregou e ali estava a confirmação que, até quatro meses atrás, eu tanto queria receber. Permaneço com a sensação de estar andando em um pântano onde, a cada passo, afundo mais um pouco na sensação de sufocamento.
Não está sendo fácil – e não é só por isso.
Pensei muito – e pensar é causar. Arrisco dizer que posso lidar com a situação de maneira mais branda por já ter vivido isso uma vez. Foi diferente, claro, mas sei como é. Vou, mas vou focada em meus interesses pessoais e financeiros. Já encontrei quem eu queria e não estou mais afim de ‘brincar’ de namorar. Pareço precipitada, mas é a verdade, minhas vontades são tão claras quanto meus prospectos.
Mas e quanto ao que não está ao meu alcance?
Sei que aqui ninguém tem culpa, mas sinto-me uma filha da puta fazendo isso contigo. Acho que só escrevo aqui por dois motivos: seu cansaço de ontem e possível falta de atenção ao que eu estava falando; e minha constante mania de auto-flagelação, quando vejo coisas que não deveria ver.
Tenho medo, claro que tenho. Seria a maior hipocrisia dizer que sou comedida o suficiente para saber dosar minha preocupação. Toda vez que penso nisso, lembro de algumas coisas que você falou e que ficaram comportadas em um cantinho escuro na minha gaveta de memórias destrutivas. Um ciuminho besta, pode até ser, mas não consigo evitar as tais comparações. É como se cada vez que abro meu armário, um monstro diferente saltasse de dentro dele, ora trazendo insegurança, ora angústias, ora – por quê não – incertezas.
Estou certa do quê e de quem quero para mim. Ao tempo que nos resta, desejo que não mude em nada (só se for para melhor). Receio já ter escrito isso aqui, mas cabe perfeitamente à situação: olhando o passado, vejo um futuro ambicioso.
