Julho 28, 2009

we come and go (prometo parar de titular em inglês)

Não  está sendo fácil, não posso negar. 

Cento e vinte horas de intensidade, boa parte delas com neblina e frio moderado. Sei que, talvez, as expectativas não foram superadas – sabe como é, às vezes superestimamos alguns acontecimentos que, não por culpa nossa, acabam sendo apenas marcantes. Ainda assim, dormir contigo à 2 graus; fazer do meu quarto uma filial do Servi Comunic para amanhecer – às sete e meia – na pedreira; finalizar o que restou no posto de gasolina e  sair de carro de um lado para outro, ao som de Queens of the Stone Age; rir da tua ressaca causada por Ypióca Gold; passear pelos mercados; procurar nossos bichinhos na BR, na chuva; e todo o restante do ‘nada’ envolvido – incluindo a volta de ônibus – me fazem ter a certeza de que tudo isso não pode (e nem vai) acabar tão cedo.

Mas toda essa solidez estremeceu assim que cliquei “Entrar” no Hotmail. A página carregou e ali estava a confirmação que, até quatro meses atrás, eu tanto queria receber. Permaneço com a sensação de estar andando em um pântano onde, a cada passo, afundo mais um pouco na sensação de sufocamento.

Não está sendo fácil – e não é só por isso.

Pensei muito – e pensar é causar. Arrisco dizer que posso lidar com a situação de maneira mais branda por já ter vivido isso uma vez. Foi diferente, claro, mas sei como é.  Vou, mas vou focada em meus interesses pessoais e financeiros. Já encontrei quem eu queria e não estou mais afim de ‘brincar’ de namorar. Pareço precipitada, mas é a verdade, minhas vontades são tão claras quanto meus prospectos.

Mas e quanto ao que não está ao meu alcance?

Sei que aqui ninguém tem culpa, mas sinto-me uma filha da puta fazendo isso contigo. Acho que só escrevo aqui por dois motivos: seu cansaço de ontem e possível falta de atenção ao que eu estava falando; e minha constante mania de auto-flagelação, quando vejo coisas que não deveria ver.

Tenho medo, claro que tenho. Seria a maior hipocrisia dizer que sou comedida o suficiente para saber dosar minha preocupação. Toda vez que penso nisso, lembro de algumas coisas que você falou e que ficaram comportadas em um cantinho escuro na minha gaveta de memórias destrutivas. Um ciuminho besta, pode até ser, mas não consigo evitar as tais comparações. É como se cada vez que abro meu armário, um monstro diferente saltasse de dentro dele, ora trazendo insegurança, ora angústias, ora – por quê não – incertezas. 

Estou certa do quê e de quem quero para mim. Ao tempo que nos resta, desejo que não mude em nada (só se for para melhor). Receio já ter escrito isso aqui, mas cabe perfeitamente à situação: olhando o passado, vejo um futuro ambicioso.

Julho 19, 2009

empty fossil of the new scene

Mais uma vez aconteceu. Mais uma vez a solidão bateu à minha porta, trazendo um leve desespero, escamoteando angústias e saudades. Definitivamente não posso ficar sozinha em determinadas circunstâncias. Sábado à noite é uma delas. Vi o que não deveria ter visto, pensei o que não deveria ter pensado, senti o que não deveria ter sentido. Só que eu mesma procurei por isso: sou uma filha da puta sádica e sem razão. Poderia dizer que o fiz numa tentativa patética de dor para aliviar a dor, sabe como é, cutucar cicatrizes semi-abertas e toda essa carga sentimental acumulada. Se por um lado não faz sentido, por outro há a certeza de que, se agora sangro, é porque um dia me deixei ferir.

 Pulso, agonizo e refuto minha própria teoria.

Existem muitos tipos de solidão, cada qual com seus propósitos e articulações, prontas para darem um jeito de te abater. E sempre, sempre abate. Por que? Porque faz parte de cada um de nós e, assim como felicidade, tristeza e alegria, a solidão batalha por sua voz. Solidão mundana… aquela que faz o olhar se perder em qualquer momento do passado, embaralhando todos os pensamentos. Às vezes faço bom uso de momentos assim para reciclar conceitos e abandonar valores. Dói, claro, mas como toda dor ímpar, com o tempo você acaba adaptando-se – e, se souberes apreciar tal dor, consegue colher bons frutos. Bizarro, porém a mais clara verdade.

 Só que hoje regredi e não tirei proveito de absolutamente nada. Apenas senti falta de um abraço forte, de sentar para conversar com as pessoas que gosto, dar risada, tropeçar, cair, causar e por aí vai.

Não sei se as coisas estão muito certas. Talvez não seja assim tão fácil quanto pensei que eram. [tá, na verdade não tenho direito algum de reclamar]. Sei lá, acho difícil alguém gostar de verdade de mim. Fizeram-me acreditar que não sou uma pessoa legal e hoje percebi que é justamente por causa disso que não suporto ficar sozinha: simplesmente porque não consigo conviver apenas comigo mesma.

Saí. Dei um tempo. Uma volta. Desejei alguma morte trágica e sem dignidade. Uma perna quebrada, um seqüestro, qualquer coisa que viesse para bagunçar a falta de sentido dessas últimas horas.

Descobri que tenho um sério problema com isso. Olhei-me no espelho com desgosto e vi toda uma vida pândega. Faço planos e não sou ninguém. Faço planos e não tenho o que quero. Sim, lamento-me excessivamente. Não posso escrever sobre o que eu queria ter escrito… é pessoal e incômodo demais. Deveria aprender a não revirar o passado – seja este o meu, ou seja o de qualquer pessoa.

Auto-analisando, classifico isso não como um surto de carência, mas sim com o excesso de desamores que acumulei por 21 anos. Ao mesmo tempo que me fez crescer, fez com que as pessoas me julgassem independente de tudo – de atenção, inclusive… o gosto da alma oca e frívola. 

Não sou ninguém. Isso aqui é vazio – e nada mais infinito que o vazio. Não passo de um simples número, uma porcentagem estatística de merda num mundo que não está nem aí pra mim.

Julho 12, 2009

the world is not my home

Eu estava estranha, né? Quieta, pensativa e todas as outras coisas que vieram de brinde, acarretadas por um comentário feito no fim da ‘noite anterior’. Sei que você percebeu isso e também sei que falei ‘estar tudo bem’. Não que não esteja, de fato, mas algo ali me incomodou. Estava pensando nisso até agora e não consegui achar uma explicação plausível o suficiente.

Acho que estranhei a mudança brusca de situação: se algumas horas antes – aplicamos aí um contexto de tempo que não ‘agora’ – tudo foi incalculável e inexplicavelmente foda, o ‘fim’ foi um tanto enfadonho. Não posso exigir – e nem quero; não sou ninguém para fazer coisas assim – mas a situação pedia algo além de uma segmentação de momentos e costas viradas.

Mais uma vez, não sei porque estou escrevendo aqui. Talvez você nem faça idéia do que estou falando – provavelmente nem lembra do que aconteceu. Talvez nem venha a ler, por estar de saco cheio de tantas lamúrias. Mas hoje a gente mal conversou – trocamos umas 500 palavras, no máximo. 

Encaro isso não como uma manifestação de “carência ou qualquer outro tipo de necessidade intempestiva”, mas sim como uma forma de explicação do por quê estava no estado que adjetivei ali em cima. Às vezes preciso refugiar-me em meus pensamentos e ficar ali, um pouco sozinha, só para lembrar que vivo e que nem tudo é sex on the beach. Às vezes tenho esses colapsos… deveria acreditar um pouco mais em mim mesma – acho que é por isso que ainda não apaguei tudo que escrevi neste post.

…ever since i’ve put your picture in a frame.

Julho 6, 2009

bode

Queria ter ido dormir cedo hoje. Evitar algumas coisas que têm me atormentado e parar de escrever sobre minhas inseguranças e fragilidades. Passar a ter uma vida normal, sabe?

Acordar segunda-feira de manhã, tomar uma xícara de café, acender a ponta que estava no cinzeiro, resolver pendências da faculdade, ter momentos mulherzinha e procurar uma academia, cuidar da minha alimentação a fim de evitar que a anemia me vença, voltar a ler o mínimo de dois livros por semana, terminar meus stencils e começar novos, escrever coisas mais interessantes,  dedicar-me mais à música, absorver melhor o sentido da existência humana…

Tudo isso não tem propósito algum. O ‘verdadeiro’ está escamoteado, não era sobre isso que eu queria escrever… Foi paradoxal. Ao mesmo tempo que foi muito bom, eu percebi a diferença. Percebi que, em alguns momentos, algo mudou. E o que mais me incomoda é saber que tenho minha parcela de culpa e que não posso lutar contra isso. Aqui admito: sou incapaz.

Mas amanhã é segunda-feira e, quem sabe, não acordo com os pés numa vida normal.

Junho 29, 2009

a tal da autoflagelação

O que está acontecendo? Que sensações são essas? Angústia? Preocupação? Medo? Na melhor da hipóteses, dúvidas.

Mas não era para ser assim, era para ser feliz. Até onde vai meu auto-controle? Sinto que estou no limite da insegurança. Prova de fogo… Essa semana coloco minha valorização pessoal em prova de fogo.

Será que sou apenas uma? Tem certeza que é isso mesmo, que não é nada impressionado pelo momento? Não estou instilando dúvidas a respeito de sentimentos, mas o ‘regresso’ pode trazer lembranças e…. bem, não quero pensar nisso. 

Será que fui precipitada e rendi-me demais? Deveria ter esperado?  A vicissitude voltará a acontecer mas, desta vez, sem ser comigo?

Incúria e reincidência. Uma vez provadas, jamais precisará de outras dores.

Sou uma farsa, um erro cíclico. Não presto e não colocarei minha mão no fogo só pra dizer que queima. É óbvio que estou receosa… A questão não é que não gosto de ‘perder’, só não simpatizo com comparações somadas à recordações… Ah, as malditas recordações.

Não quero ser plangente, é a centésima vez que caio nesse logro – pelo menos nessa última semana. Minhas lembranças são como as moedas da bolsa do diabo: quando abriram só encontraram folhas secas.

Junho 26, 2009

it’s so lonely when you don’t even know yourself

Dia cinza e frio – ainda assim muito bem acompanhado [como sempre têm sido].

Aniversário póstumo de Hillel Slovak (sim, eu e meus aniversários póstumos). Uma das poucas mortes que, quando leio sobre, me faz chorar. Puro engodo, talvez. Não só pelo fato de que ele foi um puta guitarrista, mas sim porque sempre coloco-me no lugar de Kiedis, que perdeu um de seus melhores amigos. 

Lembro do infausto ano de 2003, quando perdi três grandes amigos num intervalo de, no máximo, seis meses. Tudo bem, não posso nem comparar um acidente de carro e um assassinato com uma overdose de heroína. Ainda assim, sinto uma tristeza infinda quando relembro a passagem que Kiedis conta seu desespero frente à morte de Hillel… Ele viu seu amigo morrer; a pessoa com quem conviveu desde criança/adolescente, dividiu loucuras, drogas, bandas, músicas e, no auge dos seus 26 anos, desistiria da vida [sim, Hillel sabia que não sobreviveria].

H. Slovak nasceu em Israel e mudou-se para a Califórnia aos cinco anos de idade. Aprendeu a tocar guitarra na Fairfax High School, onde conheceu Kiedis e Flea – a quem, diga-se de passagem, ensinou a tocar baixo. Montaram a Tony Flow and the Miraculously Majestic Masters of Mayhem, mudando, em 83, para Red Hot Chili Peppers.

Never too soon to be through
Being cool, too much too soon
Too much for me and too much for you
You’re gonna lose in time
Don’t be afraid to show your friends
That you hurt inside
Pain’s part of life don’t hide behind your false pride…
It’s a lie.. your lie
 
If you see me getting by,
If you see me getting high,
Knock me down.
I’m not bigger than life

hillel

 

Junho 21, 2009

505

Queria ter terminado este post antes; no momento em que tinha começado a escrevê-lo mas, sabe-se lá por quê, parei. Acho que ative-me demais à Sartre. Sobre todas as coisas que amo, sobre a sucata do canteiro de obras, sobre as tábuas apodrecidas da paliçada, cai uma luz avara e moderada, semelhante ao olhar que damos, após uma noite sem dormir, para as decisões tomadas no entusiasmo da véspera, para as páginas que escrevemos sem rasuras e de um só fôlego.

Não faz mas sentido dizer – como está no rascunho – que “cá estou eu, 05:36 a.m esperando, mais uma vez, o dia virar dia. Cá estou eu, mais uma vez, escrevendo um post e pensando em você”, até porque, no exato momento são 14:58 da tarde. Ainda assim, cá estou eu, torrando no sol e ouvindo A Manual Dexterity: Soundtrack Vol. 1. Torrando do mesmo jeito que aquele dia – e aqui não preciso nem falar que falta-me algo, você sabe. Tudo têm sido tão sincero que nem parece ser realidade. Somos um belo ímpar, vai.

A unicidade de todos os momentos [divisíveis ou não] está me trazendo um novo princípio de existência. Vou e quero e vou, mais uma vez. Tu es spécial pour moi, comme personne n’a été avant. Sei que vai dar certo -construo sonhos  através das palavras. Penso e sinto e sinto mais de uma vez. Café e sol, ambos fortes. E há outro ‘algo’ forte aqui. Vasculhando o passado eu vejo um futuro ambicioso.  A vida assim é melhor…

Junho 15, 2009

0°40′S . 78°26′W

Afastamento prolongado de tudo. Pelos meus cálculos, foram quase cento e oito horas dispondo momentos, lembranças e pensamentos de forma à transforma-los em palavras que não soem niquentas.

0°40′S . 78°26′W. Tenho predilecção por números, portanto é assim que represento o começo. Na real significação, arrepio-me toda vez que ouço-a. Poderia muito bem dizer que é inexplicável, só para tornar tudo mais ‘misterioso’ e economizar algumas palavras, mas não é – não seria justo te classificar como inexplicável (sim, você faz parte dela). Arrepio-me por lembrar de tudo o que aconteceu envolvendo isso: de premeditações à coincidências, de noites à dias quase-completos.

Tempo: série ininterrupta e eterna de instantes. Para mim é isso. Não importa se passou apenas meio mês, cinco dias ou mil quatrocentos e quarenta horas, meus sentimentos são os mais lúcidos e verdadeiros possíveis. De certa maneira, é algo novo para mim, mas que tem me feito muito bem. A intensidade com que tudo aconteceu – e está acontecendo – me deixa atónita. 

Felicidade e bestinha já nem cabem aqui. É entorpecente – ao mesmo nível de sábado/domingo.  Não importa que, na hora, não foi dito; agora que sei, também sinto. Tão único quanto termos um lugar só nosso e que vai além que qualquer existencialismo usual; momentos de ruptura com o que é preciso ou calculável.

Interlúdio. Somos todos à favor dele.
(…) falling again is such a welcome end. Can the end of today be more than tonight? Echoes of these far reaching sights. Give me your hands and we’ll never die. This love song, it sits wrong, it means jack. The time’s right to be wrong. All night long I feel good, I feel so far away, this is mine. It could be anyday. I saw what I saw. I call up a man. Distance is what gets me right in. I had a hand in everyone losing their place. Never must stop, it’s stealing my heart. A moment to squeeze begging on its knees. I know I’ll never be right beyond tonight. Give me your hands and we’ll never die.

Aqui ainda digo que anseio por seus nadas, sejam eles procedidos de explanações, ou não. Sei que, por mais nada que sejam, sempre tem algo de sugestivo ali. Ao seu oposto, não sei lidar tão bem com palavras propriamente ditas [a paper and a pencil are the best friends that i've got], acho que é por isso que sinto vontades incontroláveis de expressar-me das mais variadas maneiras. Também preciso dizer que seus valores são os mais encantadores – e aí inclua tudo, tudo mesmo: físico, químico, psicológico, emocional, existencial…

A vida tem sido mais do que complacente. Nada mais justo do que agradecer pelos momentos de plenitude: sejam estes entremeados de sorrisos bestinhas ou rematados por palavras mais do que sinceras, sussurradas num silêncio estranhamente confortável.

É você. Sei disso.
Posso?

Junho 9, 2009

.txt

Anestesia geral. Encontro-me em estado total de anestesia geral.
Não sei por onde começar. A priori, este post não seria nada específico; às vezes sou um tanto quanto irresoluta.

Não estava esperando por ‘isso’ (chega a ser um disparate tratar por ‘isso’, mas não me vem à memória algo mais correto). Não esperava por arguição minha mesmo – no que diz respeito à relações interpessoais, fizeram-me acreditar que sou incapaz de ser realmente ‘especial’ para alguma pessoa. Querendo, ou não, ‘isso’ mostrou-me que, sim, quem sabe tenho alguma capacidade de ser importante para alguém. Falar que soa pretensioso acaba soando confuso também, mas é assim mesmo.

Felicidade catatônica. Ímpetos de sentimentos. Sentimentos. “As metáforas são uma coisa perigosa, não se brinca com as metáforas (…)”. Você conhece esse trecho – talvez não reconheça assim, logo de cara, mas sei que conhece…

Poderia continuar esse texto referindo-me, mesmo que implicitamente, à diversos momentos [nossos. dos mais simples aos mais sublimes. de nós para nós mesmos.] mas nem sempre os pensamentos fluem de maneira organizada e passíveis de serem publicados. Poderia ser mais explícita, mas eloquência não vem ao caso. A intensidade dessas palavras é irredutível…

Bom mesmo é saber que todos os acidentes de percurso valem a pena quando lhe aproxima ainda mais da pessoa certa…

Junho 7, 2009

lápide 1: epitáfio para o corpo…

…aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito, são suas obras completas.

Aniversário póstumo de Paulo Leminski.
Curitibano de bigodes invejáveis à Nietzsche. Gênio concretista e haicaista. Bomba-relógio de sentimentos. Músico, tradutor e judoca nas horas vagas.

Tamanha minha gratidão por deixar “Guerra dentro da gente” revolucionar minha simplória cabecinha, aos 14 anos. Aqui deixo minha admiração por você. Simples e de poucas palavras, porém  recheada de glórias.

não fosse isso
não fosse isso
e era menos
não fosse isso
e era quase
- Paulo Leminski